Cinco municípios do corredor logístico reúnem 10,6 mil estabelecimentos familiares; retomada da navegação busca reduzir custos e melhorar o escoamento da produção regional
A reativação da Hidrovia do São Francisco, em estudo pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e pela Autoridade Portuária Federal – Codeba, poderá ampliar as alternativas de escoamento da produção agrícola e facilitar o acesso da agricultura familiar a novos mercados. Cinco municípios do corredor logístico entre Minas Gerais, Bahia e Pernambuco reúnem 10.628 estabelecimentos familiares, o equivalente a 63,87% do total de estabelecimentos agropecuários desses municípios.
Os dados são do Censo Agropecuário 2017 (último censo disponibilizado), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), disponibilizados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Ao todo, Petrolina (PE), Juazeiro (BA), Ibotirama (BA), Sobradinho (BA) e Pirapora (MG) somam 16.639 estabelecimentos agropecuários. O painel da Embrapa apresenta essas informações sobre a base cartográfica municipal de 2022.
Para o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, a retomada da hidrovia deve considerar também as necessidades dos pequenos produtores. “Queremos ampliar as opções de transporte para que a produção do interior chegue a mais mercados e com menor custo. Na retomada da Hidrovia do São Francisco, precisamos criar condições para que os agricultores familiares também possam utilizar essa infraestrutura e ampliar suas oportunidades de renda”, afirmou.
Agricultura familiar no corredor
Entre os cinco municípios, Petrolina (PE) concentra o maior número de estabelecimentos familiares: são 4.509, correspondentes a 64,25% do total local. Em Juazeiro (BA), são 4.402 (60,40%). Considerando todos os estabelecimentos agropecuários, as lavouras permanentes representam 45,85% das unidades de Petrolina e 36,92% das de Juazeiro.
Ibotirama (BA) apresenta a maior participação da agricultura familiar nesse recorte, com 1.185 estabelecimentos (78,84%). A pecuária e a criação de outros animais predominam na atividade agropecuária municipal, seguidas pelas lavouras temporárias.
Em Sobradinho (BA), 351 estabelecimentos são familiares (62,57% do total municipal). Em Pirapora (MG), são 181 (67,29%).
Inclusão dos pequenos produtores
A proposta combina infraestrutura e capacitação para ampliar o acesso dos pequenos produtores ao transporte hidroviário. Estão previstos pequenos portos públicos ao longo do rio, criando pontos de embarque e desembarque para a produção local.
O secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Burlier, destacou as condições necessárias para viabilizar esse acesso. “O acesso dos pequenos produtores à hidrovia depende de pontos de embarque e de preparação para utilizarem o transporte pelo rio. Por isso, o projeto prevê pequenos portos públicos e capacitação das comunidades, considerando as características da produção local e as condições necessárias para transportar cada tipo de carga”, concluiu.
Por meio do programa HN-500, também está prevista a capacitação de comunidades e pequenos produtores para atividades de recepção e escoamento da produção agrícola pelo rio. O objetivo é preparar a população local para as oportunidades de trabalho e comercialização relacionadas à retomada da navegação.
Retomada da navegação
O projeto em estudo abrange 1.371 quilômetros do Rio São Francisco, entre Pirapora (MG) e o polo formado por Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), e inclui a Eclusa de Sobradinho. A proposta busca reduzir custos de transporte e ampliar as opções de escoamento da produção regional.
Segundo a Codeba, as principais cargas identificadas nos estudos são gipsita para uso agrícola e na construção civil, caroço de algodão, soja e milho. A companhia também aponta potencial para o transporte de ração animal, biocombustíveis e açúcar, destinado ao mercado interno.
Para a fruticultura irrigada, a perspectiva é de atendimento futuro. De acordo com a companhia, o transporte dessa produção dependerá da construção de embarcações específicas, com tecnologia apropriada ao tipo de carga.
Fonte: ASCOM MPOR
























