Fotos: Otávio Santos / Secom PMS
Reportagem: Ana Virgínia Vilalva e Camila Vieira / Secom PMS
O segundo viveiro de restinga de Salvador foi entregue nesta sexta-feira (18) no Jardim de Alah e recebeu 515 mudas produzidas no primeiro viveiro de restinga do município, localizado na Praia do Flamengo. O espaço mais antigo será responsável por abastecer o novo viveiro, onde as espécies passarão por um período de adaptação antes de futuros plantios na Orla Atlântica da capital baiana. O processo, conhecido como rustificação, prepara as plantas para condições mais adversas do ambiente litorâneo, como a alta salinidade e a incidência de ventos.
Desenvolvido pela Secretaria Municipal de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal (Secis), em parceria com a Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador (Desal), o novo viveiro integra as ações de recomposição da vegetação de restinga e recuperação ambiental da orla da cidade.
Durante a inauguração, a vice-prefeita Ana Paula Matos enfatizou a importância da adaptação das espécies antes do plantio definitivo. “Estamos cuidando da cidade como um todo, fazendo os corredores verdes, mas, em especial, os viveiros de restinga surgem a partir de um cuidado de salvaguarda da revitalização da orla de Salvador. Aqui onde estamos há um cuidado maior, porque o índice de salinidade é alto. Primeiro, essas plantas vão se adaptar ao local por seis meses, para depois serem plantadas em outras regiões”, disse Ana Paula.
A gestora também pediu a colaboração da população para preservar as áreas arborizadas. “Eu aproveito para pedir às pessoas que cuidem, que nos ajudem. Muitas pessoas têm vandalizado, têm quebrado as árvores. É importante para o nosso povo ter uma cidade mais arborizada, não só pela beleza, mas também para diminuir o calor. Então, esse tipo de projeto é importante para a resiliência da cidade”, afirmou a vice-prefeita.
De acordo com o titular da Secis, Ivan Euler, o novo viveiro de restinga tem como função preparar as mudas para as condições encontradas na faixa litorânea. “Esse viveiro tem tamanho e características diferentes. A ideia é fazer a rustificação aqui. As mudas que não estão sendo criadas através de sementes ou propágulos no outro viveiro serão trazidas para um ambiente mais natural e mais agressivo, pela salinidade. Após um período de alguns meses, se adaptando e crescendo, a gente vai colocar as mudas em toda a orla”, explicou o secretário.
Inicialmente, foram trazidas 515 mudas de quatro espécies. “A expectativa é que elas passem seis meses aqui. É um projeto-piloto. Podem ocorrer algumas perdas, é normal; e depois desse período vamos entender se já podemos levá-las para a orla e começar a arborizar”, acrescentou Euler.
O acompanhamento das mudas será feito pela equipe que atua no viveiro de restinga da Praia do Flamengo, com visitas ao novo espaço ao longo da semana.
O secretário também adiantou que a Prefeitura projeta, para 2027, a implantação de um novo horto florestal voltado à produção de espécies destinadas às áreas interiores da cidade. A primeira unidade está prevista para o Parque Socioambiental de Canabrava, com foco na produção de mudas de espécies da Mata Atlântica.
Segundo o presidente da Desal, Francisco Torreão, a estrutura no Jardim de Alah utiliza materiais como eucalipto de reflorestamento e madeira, de maneira adequada às características do espaço. “As divisórias são de eucalipto, que é um material da natureza e sustentável. São eucaliptos de reflorestamento, e parte da cobertura, com esse sombrite, foi uma especificação da Secis para controlar a intensidade solar nas plantas”, afirmou Torreão.
Espécies – A bióloga Maria do Carmo Barbosa, que atua no viveiro da Praia do Flamengo, explicou que o acompanhamento das espécies começa ainda na fase de sementes: “Primeiro ela vai para um berçário de 20 centímetros, de onde sai, a partir dos 30 centímetros, para a área de produção. Acompanhamos esse progresso até evoluir e vir para cá”.
Entre as espécies levadas para o novo viveiro, está a Coccoloba uvifera, conhecida como uva-da-praia, considerada adequada para ambientes litorâneos por apresentar resistência à salinidade e aos ventos, conforme a bióloga. Além da Coccoloba, o espaço recebeu também mudas de Sagres schyphlora, Guapira pernambucencis e Eugenia sp.
O diretor do Sistema de Áreas de Valor Ambiental e Cultural (Savam), João Resch, ressaltou que o período de adaptação também permitirá avaliar o desempenho das espécies antes da distribuição pelos diferentes trechos da orla. “Isso é importante para saber, de fato, a potencialidade que essas espécies terão de adaptação, para termos um monitoramento e acompanhamento dos principais locais da orla, principalmente os que têm mais salinidade”, apontou Resch.

























