Levantamento cruzou as 324 propostas do candidato com os programas em execução no Estado e identificou 205 ações já em andamento, de saúde itinerante a busca ativa contra a evasão escolar
O plano de governo registrado por ACM Neto (União Brasil) na Justiça Eleitoral promete criar, como se fossem inéditos, programas que já funcionam na Bahia. Levantamento que cruzou as 324 propostas do documento com as políticas em execução no governo Jerônimo Rodrigues (PT) identificou 205 ações que já têm equivalente no Estado. O número representa 63,3% do plano. Na prática, de cada três compromissos assumidos pelo candidato da oposição, dois já são realidade para o baiano.
Os casos mais evidentes estão na saúde. O “Corujão da Saúde”, anunciado por ACM Neto para reduzir filas de especialistas, já existe com o nome de Agora Tem Especialistas, que soma R$ 100 milhões investidos, 27 policlínicas regionais e 10 milhões de atendimentos desde 2017. O “Saúde Sobre Rodas” repete o modelo da Feira Saúde Mais Perto, programa itinerante que passou por 110 municípios em 190 edições e realizou 1,09 milhão de atendimentos. O prontuário eletrônico prometido pelo candidato já foi implantado pela Bahia, primeiro estado do país a integrar o sistema AGHUse, presente em 48 unidades da rede. O chamado “Pix Saúde”, vendido como forma de comprar serviços fora da rede pública, também não traz novidade: o Estado já remunera leitos, consultas, exames e cirurgias contratados na rede privada complementar ao SUS.
Na educação, a avaliação diagnóstica proposta no plano existe desde 2007. O Sistema de Avaliação Baiano de Educação (SABE) alcança os 417 municípios do estado. A busca ativa contra a evasão, outra promessa do documento, já é feita pela rede estadual e ajudou a derrubar o abandono no Ensino Médio de 13% para 3,1%.
O padrão se repete nas políticas sociais e de segurança. O programa “Conforto da Mulher”, que ACM Neto promete criar, tem o mesmo propósito do Dignidade Menstrual, que atendeu 225 mil estudantes com R$ 5,4 milhões em 2024. O “Mesa Farta” chega depois do Bahia Sem Fome, que investiu R$ 5 bilhões e retirou 1,3 milhão de pessoas da insegurança alimentar. Os Coletivos Bahia pela Paz, apresentados como proposta, já funcionam em 16 cidades, com 24 unidades e R$ 70 milhões aplicados.
Ao prometer o que já existe, ACM Neto reconhece que as políticas do atual governo têm resultado. A diferença entre os dois projetos, portanto, não está no conteúdo das propostas, mas em quem já as tirou do papel.


























