Exibições acontecerão semanalmente no Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC Bahia) a partir do dia 6 de novembro. A Ocupação Ferrovias também promoverá debates e atividades educacionais.
O Festival Ferrovias realizará uma série de sessões gratuitas de cinema no Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC Bahia), em Salvador, a partir do dia 6 de novembro. A Ocupação Ferrovias no MAC Bahia funcionará como um aquecimento do público para o festival, que acontece entre 13 e 14 de novembro, no Centro Cultural Plataforma.
Além da exibição de filmes de idealizadores do Subúrbio Ferroviário de Salvador, a Ocupação Ferrovias no MAC Bahia também promoverá debates com os produtores dos filmes e atividades educativas para valorização da memória do território.
O evento começará no dia 6 de novembro com uma exibição de filme e debate com a presença das crianças do Acervinho, braço da Associação Cultural Acervo da Laje. As sessões de cinema acontecerão uma vez por semana no MAC Bahia até o dia 26 de novembro.
Os filmes exibidos ao longo da programação da Ocupação Ferrovias apresentarão diferentes partes do território, além de abordar as memórias da região: a relação com o mar, a experiência das mulheres negras, a infância quilombola, as juventudes e a produção artística periférica.
O Festival Ferrovias foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, realizados com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado.
Confira a programação completa abaixo:
Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC Bahia) — Sexta-feira, 6 de novembro – Abertura
Sessão I — Memória, arte e território
15h — Conversa com as crianças fotógrafas do Acervinho.
16h — Sessão de cinema e debate
Memórias do Subúrbio: O que é o Acervo da Laje
Cecilia Veras, Diana Miranda, Tainã Pacheco e Yan Azevedo | 2022 | Documentário | 13 min e 7 s | Classificação livre
O documentário apresenta a história do Acervo da Laje, espaço de memória, arte, educação e cultura localizado no bairro de São João do Cabrito, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. Por meio de entrevistas e registros fotográficos do bairro de Plataforma, o filme acompanha a construção desse projeto idealizado por Zé Eduardo e Vilma Santos. A obra propõe uma reflexão sobre o direito à cidade e o acesso à arte nas periferias, destacando o cuidado, a aprendizagem e a valorização de histórias e conhecimentos que nem sempre encontram espaço nas instituições culturais.
Narrativas da Maré
Raphael Paranhos | 2021 | Documentário | 17 min e 13 s |
Classificação livre
O documentário aborda o cotidiano e as experiências dos pescadores de Praia Grande, bairro situado no Subúrbio Ferroviário de Salvador. A partir das vivências desses trabalhadores, o filme aproxima o público das relações entre comunidade, mar, trabalho e memória, evidenciando conhecimentos e práticas ligados à pesca e à vida nas águas do território.
Após as exibições: debate com realizadores e participantes.
Quarta-feira, 11 de novembro — 14h | Sessão II — História, identidade e resistência
Falsa Independência
Ítalo Andrade Guimarães | 2024 | Videoclipe | 4 min e 32 s | Classificação livre
O videoclipe destaca a importância do 2 de Julho de 1823 para a história da independência do Brasil na Bahia. A obra enfatiza a participação popular nas lutas contra o domínio português e evoca personagens como Maria Quitéria e Zeferina, além dos grupos populares que contribuíram para a libertação do território baiano. A produção propõe uma reflexão sobre memória histórica, identidade e emancipação, chamando atenção para o protagonismo de homens e mulheres frequentemente pouco valorizados nas narrativas tradicionais da independência brasileira.
Sou Eu
Taciane Campos Rodrigues, Tamires Nascimento, Jaime Gómez e Felix Salgado | 2022 | Experimental | 5 min e 16 s | Classificação livre
Resultado de um intercâmbio artístico entre participantes colombianos e brasileiros, o vídeo reúne música, dança, literatura e poesia em uma experiência audiovisual interdisciplinar. A obra parte de experiências compartilhadas entre sociedades marcadas pela violência, pela intolerância e pela necessidade de resistência. Por meio de diferentes pontos de vista e situações, o trabalho busca estabelecer conexões entre os dois países e sensibilizar o público para a convivência em sociedades pluriculturais.
Vigia — Um Olhar para a Morte
Victor Marinho | Ficção | 25 min | Classificação indicativa: 14 anos
Salvador trabalha como segurança noturno em um banco e encontra nos filmes de ação uma forma de escapar da monotonia de sua rotina. Aos poucos, porém, as fronteiras entre a realidade que vive e a fantasia que consome começam a se tornar indefinidas. O filme explora a relação entre cotidiano, imaginação e percepção, acompanhando um personagem cuja experiência passa a ser atravessada pelas imagens e narrativas do cinema.
Quarta-feira, 18 de novembro — 14h | Sessão III — Infância, memória e protagonismo feminino
Sessão acessível: Libras, LSE e audiodescrição
Mar, Cores, Sons e Texturas — O Olhar Quilombola na Infância
Cristiele Menezes e Gabriel Moreira | 2022 | Documentário | 15 min e 15 s | Classificação livre
O documentário apresenta a vida, as brincadeiras e a poesia da infância na comunidade quilombola de Bananeiras, localizada em Ilha de Maré, Salvador. A narrativa acompanha quatro crianças — Maria, Gabi, Merinho e Nicolas — que encontram na maré um espaço de diversão, convivência e descoberta. A partir do olhar infantil, o filme valoriza a relação com a natureza, os vínculos comunitários e as experiências cotidianas das crianças quilombolas, revelando formas próprias de brincar, aprender e habitar o território.
Marias, Mulheres, Marés
Alessandra Flores Ferreira de Souza | 2021 | Documentário / vídeo-poema | 11 min e 36 s | Classificação livre
Integrante da série de vídeos-poemas do projeto Mulheres Marés: da Lata d’Água na Cabeça à Luta pelo Chão, a obra reúne mulheres negras que recitam poemas e compartilham lembranças, afetos, dores e experiências de luta. Participam do trabalho autoras do livro Assoalho de Lembranças, integrantes do Grupo de Consciência Negra da Bahia (Grucon), que apresentam suas múltiplas identidades como mães, avós, poetisas, lavadeiras, costureiras, atrizes e mulheres do Subúrbio Ferroviário. O filme transforma a palavra em espaço de memória e reconhecimento, dando visibilidade às histórias e vozes dessas mulheres.
O Peixe
Ítalo Rodrigues | 2018 | Documentário | 6 min e 40 s | Classificação livre
Everlin é um jovem cheio de sonhos que enfrenta dilemas cotidianos e questiona seu papel na sociedade. O documentário acompanha essa experiência, aproximando o público de suas inquietações e expectativas diante da vida. A obra propõe uma reflexão sobre juventude, identidade e possibilidades de futuro.
Recursos de acessibilidade: a sessão contará com Língua Brasileira de Sinais (Libras), Legenda para Surdos e Ensurdecidos (LSE) e audiodescrição.
Quinta-feira, 26 de novembro — 16h | Sessão IV — Juventude, criação e cotidiano – Encerramento
MéritoKratos
Maria Clara Carvalho e Kamila Silva | 2024 | Documentário | 12 min e 11 s | Classificação livre
No coração da periferia de Salvador, o documentário acompanha Cotiax, um jovem negro de 20 anos. Sua rotina começa antes do nascer do sol e é marcada pelos desafios enfrentados por muitos jovens das periferias urbanas. Em meio às exigências do cotidiano, ele busca manter viva sua paixão pela arte. O filme aproxima o público de suas experiências, evidenciando as tensões entre trabalho, condições de vida e expressão artística, além da importância da criação como possibilidade de construção de caminhos próprios.
O Artista Suburbano — O Filme
Vagner Jesus | 2021 | Ficção | 27 min e 48 s | Classificação livre
O protagonista é um youtuber do bairro do Alto do Cabrito que passa a enfrentar as consequências de ter sido flagrado em uma festa durante a pandemia de Covid-19, em 2020. Após ser cancelado nas redes sociais, ele fica sem emprego e precisa encontrar maneiras de recuperar sua imagem e reorganizar a própria vida. Brincando com as linguagens do cinema e das produções para a internet, o filme aborda a cultura digital, a exposição pública, o cancelamento e os impactos da pandemia sobre a vida dos moradores do Subúrbio Ferroviário.
O Festival Ferrovias
O Ferrovias é uma iniciativa pioneira de valorização do audiovisual produzido no antigo Subúrbio Ferroviário da capital baiana e é realizado desde 2023.
O evento homenageia a herança dos 162 anos em que os trens atravessaram o Subúrbio de Salvador, transportando, diariamente, mais de 14 mil pessoas.
As histórias desses trabalhadores soteropolitanos marcaram o tempo e construíram a riqueza de uma região que, por vezes, tem a importância menosprezada no contexto geral da cidade.
O festival é pensado e composto majoritariamente por moradores e residentes do Subúrbio. Ao longo dos últimos três anos, o evento tem se estabelecido como um ponto de encontro para as histórias deste território.

























